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Por Julio Cesar Barbosa

Ser técnico do Vasco não é fácil. Esteja quem estiver no cargo, a paciência da torcida é mínima e as reclamações contínuas. Mesmo que o treinador seja experiente, o torcedor vascaíno em geral sempre tem certeza que entende mais do assunto e conhece melhor os jogadores que o profissional que está lidando com o dia a dia das atividades dos atletas.

 

Burrice, fraqueza diante da “imposição de empresários”, escalações e substituições ruins, incompetência técnica, cegueira estratégica, falta de pulso com juízes, confederações, imprensa e diretoria. Assumir a função de técnico do Vasco é passar a ter imediatamente todas essas “qualidades”. A torcida do Vasco só esquece-se de colocar uma característica fundamental nessa lista: uma tolerância de monge budista para aturar a cornetagem generalizada.

 

Dorival Jr. está há quatro jogos no comando vascaíno. Iniciando um trabalho praticamente do zero (graças ao Paulo Autuori), pegando o time às portas da zona de rebaixamento, tendo problemas para poder escalar os reforços que chegaram ao clube, encarando dois clássicos e apenas um jogo em São Januário, o atual treinador nos apresenta hoje um Vasco na oitava colocação e com algum padrão de jogo.

 

Mas bastou um empate com o Goiás no Serra Dourada,onde estava invicto e já havia vencido times à nossa frente na tabela, com gol de pênalti (em jogada irregular) aos 42 minutos do segundo tempo para o Dorival passar a sofrer uma tonelada de críticas. No Blog da Fuzarca, um comentarista chegou a chamá-lo de “o pior treinador do Campeonato Brasileiro”.

 

Tá certo que, não por acaso, dizem que o Brasil é um país com 200 milhões de técnicos de futebol, mas a torcida do Vasco exagera. Muitos, pelos argumentos que usam, deixam claro um desconhecimento básico do popular esporte bretão. Mas movidos pela enxurrada de críticas, replicam as análises negativas sem levar em consideração o que acontece nas partidas ou o que há de positivo no trabalho que vem sendo feito.

 

O Vasco jogou no contra-ataque? Então fez uma retranca vergonhosa. Nei continua na lateral? É por ordem de empresários. Fagner ainda está sem ritmo de jogo? Implicância com o melhor lateral do Brasil no banco. Não temos um goleiro confiável no elenco? Burrice manter o Diogo Silva como titular. Dorival ainda precisa avaliar jogadores que não conhece até para definir dispensas? Colocar o Leandro pra jogar foi uma substituição horrenda. E assim a “anta” que comando o Vasco não faz nada que preste.

 

O que se pode constatar pelo que diz um grande número de vascaínos, independente dos desfalques do time e do momento que atravessem nossos adversários, a exigência para que seu trabalho seja aceito é que o Vasco vença os clássicos e goleie todos os clubes menores.  E o mais sem sentido nisso tudo é que muitos dos que têm esse tipo de visão são os mesmos que dizem que o Vasco não tem time e que vai lutar para não cair para a Série B. Ou seja, acham que o elenco é péssimo e consideram uma campanha de meio de tabela ruim. Esses não querem um bom técnico, querem um David Copperfield na Colina, que faça a mágica de pegar um time com um elenco limitado e o transforme em uma equipe imbatível.

 

Dorival não é um treinador perfeito, como nenhum é. Então, ter um pouco de paciência com um trabalho que está apenas começando, entender que as dificuldades que aparecem muitas das vezes não podem ser resolvidas pelo técnico (como regularização de jogadores e salários em dia) e mostrar um pouco de apoio seria bom. Ter confiança no time é o papel da torcida e isso certamente trará reflexos positivos tanto para a equipe como para o treinador.

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